Ciro Gomes, em entrevista, fala sobre gasolina, militares e relação com o Congresso

O pedetista disse que, se eleito, abrirá mão da reeleição para presidente, defendeu a criação de uma renda mínima como forma de combate à fome, prometeu ajuda federal aos municípios para o ensino básico e falou sobre a presença de militares no governo.

Ciro Gomes também fez duras críticas ao presidente Jair Bolsonaro, pré-candidato pelo PL, acusando-o de “canalha”. Também não poupou Luiz Inácio Lula da Silva, pré-candidato pelo PT, dizendo que o ex-presidente “se corrompeu” e que “fica acenando com grande estelionato eleitoral”.

Candidato à Presidência pela quarta vez em 2022, Ciro Gomes contou que quer ser eleito para discutir, agora, como sair da “intricada condição social” dos brasileiros que vão chegar à velhice sem cobertura previdenciária.

Ele também listou o endividamento das famílias brasileiras e a precarização da saúde mental como alguns dos principais problemas a se combater.

 

Alta dos combustíveis

Em relação ao preço dos combustíveis, Ciro Gomes chamou de “truque eleitoreiro criminoso” e “canalhice” a proposta do governo federal de reduzir o ICMS dos estados para tentar conter a alta do preço dos combustíveis. “E não é para resolver o problema, é pra atravessar o período eleitoral”, disse.

O pedetista também criticou o alto lucro obtido hoje por 60% dos acionistas minoritários da Petrobras e afirmou que a empresa lucra 38%, enquanto no resto do mundo, segundo ele, o lucro de petroleiras fica na faixa de 7%.

 

Endividamento das famílias brasileiras

Ao falar sobre o endividamento dos brasileiros, Ciro fez críticas ao oponente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e afirmou que o petista comete “estelionato eleitoral” quando promete, em discursos, que a vida vai melhorar e voltar a ser como na época em que foi presidente, entre 2003 e 2010.

O pré-candidato disse ainda que Lula “está muito longe de entender” que “o Brasil é outro”.

 

Combate à fome e renda mínima

Em 2022, oito anos após sair do mapa da fome em 2014, 33 milhões de pessoas passam fome no Brasil. Para Ciro Gomes, a solução é criar estoques de alimentos para regular o mercado em momentos de flutuação dos preços e, paralelamente, colocar em prática um projeto de renda mínima.

Na entrevista, o pré-candidato comparou a produção de alimentos no Brasil com a de outros países. “Isso aqui é um país do fundão da África subsaariana, que não tem comida? Não, nós somos o maior produtor de alimentos do planeta Terra”, disse.

 

Autonomia do Banco Central

A autonomia do Banco Central, lei estabelecida durante a pandemia de Covid, em fevereiro de 2021, foi, para Ciro Gomes, “um assalto”. “ E [Arthur Lira] passa, no Congresso Nacional, em plena pandemia, sem discussão de ninguém, numa votação virtual, em que nem a seriedade do voto pode ser apurada, uma autonomia do Banco Central. Isso foi o que aconteceu no nosso país, isso foi um assalto. Eu vou pra lá pra corrigir isso, se não, elejam outro.”

 

Educação

A aposta de Ciro Gomes para melhorar a educação no país é a criação de um fundo para “valorizar” e “estimular” docentes. Ele ainda propõe a federalização da gestão de do ensino básico.

“Precisamos preparar o profissional dos novos tempos, ensinando a perguntar. Isso pressupõe professor qualificado e motivado, treinamento massivo para todos os professores. Isso pressupõe programa de retreinamento com estímulos [para professores]”, afirmou Ciro, sem detalhar de onde sairiam os recursos para o fundo.

 

Saúde

O plano de Ciro Gomes  para a saúde é criar uma “carreira de estado” para os médicos brasileiros como forma de fortalecer a medicina de família, formando profissionais generalistas e atendendo, segundo Ciro, 80% das demandas de saúde do país.

 

Amazônia

Sobre as mortes do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips, Ciro Gomes disse que o presidente Jair Bolsonaro colocou culpa nas vítimas ao dizer que ambos “foram para uma aventura”. E comentou que, para ele, a Amazônia “é uma terra sem dono. Na visão do pedetista, “os militares estão muito longe de cumprir mais remotamente o ordenamento espacial da força terrestre brasileira”.

 

A morte de Genivaldo

Quando questionado sobre o que teria feito após a tortura e morte de Genivaldo Jesus Santos pela Polícia Rodoviária Federal, Ciro Gomes afirmou que teria “imediatamente afastado das suas funções” o diretor-geral da PRF e também o ministro da Justiça.

 

Forças policiais

O pré-candidato afirmou que os policiais militares do Ceará que participaram de motins teriam sido presos e expulsos da corporação se ele fosse governador do estado. Na época, o titular do cargo era Camilo Santana (PT). Ex-governador do Ceará, o pedetista relacionou os motins, o último deles em 2020, a uma realidade de policiais com “pouca aptidão para segurança” no estado.

 

Militares na política

Se for eleito, Ciro Gomes garantiu que irá proibir que militares da ativa ocupem cargos políticos. “Veja o que está acontecendo: tem 3,8 mil militares da ativa dobrando salário em cargos políticos. No meu governo, [no] primeiro dia [haveria a determinação]:  está proibido militar participar de cargo político”, afirmou.

 

Ciência

Ciro Gomes criticou o investimento do governo brasileiro de apenas 0,75% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil no setor de Ciência e Tecnologia. Ele afirmou que esse valor deveria ser, na verdade, de 3% do PIB.  “É um desastre o que está acontecendo. Estão transformando o nosso país em uma ex-nação. Não duvide disso”.

 

Orçamento Secreto

Questionado sobre como pretende pôr fim ao chamado “orçamento secreto” e lidar com a atual cúpula do Congresso Nacional, o pré-candidato do PDT afirmou que, se eleito, abre mão da reeleição para presidente e irá propor reformas nos seis primeiros meses. “Abro mão da minha reeleição em troca da reforma do país (…) uma reconstitucionalização do Brasil para acabar com essa barafunda institucional em que estamos navegando”.

 

Lula

Ciro Gomes fez críticas ao ex-presidente e também pré-candidato do PT nas eleições de 2022, Luiz Inácio Lula da Silva. O candidato do PDT, que já foi aliado do petista, criticou o patrimônio pessoal de Lula e afirmou que ele se “corrompeu organicamente. “Não dá para fazer de conta que ele não se corrompeu organicamente. O patrimônio pessoal do Lula não se explica”

 

Tentativa de Golpe

O pré-candidato do PDT afirmou que o presidente Jair Bolsonaro pode tentar dar um golpe caso não seja eleito no pleito de 2022. Apesar disso, Ciro tem a opinião de que Bolsonaro não encontrará apoio para alcançar seu objetivo, que ele classificou como um “delírio”. “A condição objetiva interna e externa inviabiliza o delírio que o Bolsonaro tem na cabeça”.

 

Alianças

Ao comentar sobre alianças políticas formadas para o pleito de 2022, Ciro Gomes afirmou que o motivo de ter ficado “isolado” foram as suas ideias e os números das pesquisas de opinião. Apesar disso, ele propõe uma ampla aliança entre partidos

 

2º turno

“Eu estarei no segundo turno” Essa foi a resposta do pré-candidato Ciro Gomes sobre o que ele faria caso não conseguisse uma vaga no segundo turno da eleição. O pedetista não revelou se apoiaria qualquer outro candidato na segunda etapa da disputa.

 

Relação com Congresso

Perguntado sobre como seria o seu relacionamento com o Congresso Nacional em um possível governo, Ciro Gomes afirmou que pretende  “restaurar a autoridade da presidência da república”. Ele disse estar “cheio de ideias”, não ter medo de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) e que não fará “negociata” por reeleição porque abrirá mão dela.

 

Listra tríplice

Numa possível escolha de um procurador-geral da República, o pedetista afirmou que não iria seguir, necessariamente, a lista tríplice de candidatos oferecida pela categoria. Desde 2003, o único caso de indicação fora da lista é o do procurador Augusto Aras, feita pelo presidente Jair Bolsonaro. Ciro justificou sua decisão: “Eu vou buscar aqueles que, entre os titulados formalmente, tenha aquilo que a Constituição pede”.

 

Segunda instância

Ciro Gomes afirmou que enviará um projeto para que seja cumprida a sentença de um crime após passar por duas instâncias judiciais.  Ele discorda do formato atual, no qual o processo tramita em quatro jurisdições. “Eu vou acabar com dois dos quatro graus de jurisdição e vão ficar só dois. Cometeu o crime comum e foi condenado na segunda instância, vai pagar a pena”.

 

Ataques ao STF

O pré-candidato Ciro Gomes comentou os ataques sofridos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ele afirmou que decisão final é do STF, não interessando se isso é bom ou ruim. Também discordou da atitude do ministro Luís Roberto Barroso, que convidou as Forças Armadas para participarem do processo eleitoral de 2022. “Por definição, quem fala por último é o Supremo Tribunal Federal (STF). Ponto final. É bom? É ruim? Não interessa”.

 

Forças Armadas no processo eleitoral

Perguntado sobre qual o papel das Forças Armadas no processo eleitoral, o pedetista disse que o assunto não tem nada a ver com a instituição. Segundo ele, cabe aos militares apenas garantir a ordem para que “ocorra com tranquilidade”. “Eles são o fator de ordem para que a eleição ocorra com tranquilidade. Eu estou falando [que sou contra] em chamar para dar opinião sobre o processo eleitoral. Isso não tem nada a ver com Forças Armadas”.

 

Pandemia

Ao comentar o número de mortos causados pela Covid no país, Ciro Gomes disse que enviou, no início da pandemia, recomendações para o combate da doença ao presidente. A carta, segundo ele, foi ignorada. “Esse crime [as mortes por Covid] foi cometido pelo senhor Jair Messias Bolsonaro e por todos os canalhas que o cercam”.

 

Fonte: G1

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